Literatura, ciência e cidadania: Fiocruz abre inscrições para concurso que incentiva jovens a escrever sobre cuidado e desigualdades

Redação OJC&T com Ascom ICICT/Fiocruz - EPSJV/Fiocruz | 18/05/2026 11:11:11
Cartaz ilustrado com fundo quadriculado e blocos de cores sólidas anunciando o "4º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil". À direita, um desenho em estilo lápis de cor mostra duas mulheres brancas se abraçando afetuosamente: uma idosa de cabelos brancos curtos e uma mulher mais jovem de cabelos castanhos. No lado esquerdo, sobre um fundo laranja, destaca-se o tema do concurso em letras manuscritas brancas: "Quem cuida de quem cuida? Cuidado e desigualdades no Brasil".

O Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz (Icict/Fiocruz) está com inscrições abertas para a 4ª edição do Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil. Voltada para estudantes de 13 a 16 anos de todo o Brasil, a iniciativa une literatura, divulgação científica e saúde coletiva para estimular o pensamento crítico entre jovens.

Neste ano, o tema do concurso é “Quem cuida de quem cuida? Cuidado e desigualdades no Brasil”. Os participantes devem produzir textos em prosa — como crônicas, contos ou dissertações — refletindo sobre o cuidado como trabalho essencial para a vida e para a sociedade.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até 29 de maio, por meio de formulário disponível no site da Portinho Livre. (links no final da matéria)

Tema debate cuidado e desigualdades no Brasil
A edição de 2026 propõe uma reflexão sobre o trabalho do cuidado no Brasil. O tema dialoga com a Política Nacional de Cuidados, instituída em 2024, e convida os jovens a pensarem sobre quem cuida de crianças, idosos, pessoas com deficiência e daqueles que precisam de apoio no dia a dia.

Muitas vezes invisibilizado, o cuidado envolve esforço físico, emocional e social e é realizado, em grande parte, por familiares e trabalhadores formais e informais.

Ao trazer o tema para o centro do concurso, a Portinho Livre amplia o debate sobre desigualdades sociais, valorização do cuidado e construção de políticas públicas.

Criado há quatro anos, o concurso se consolidou como uma proposta inovadora de aproximação entre juventude, ciência e cidadania. Ao incentivar a escrita sobre temas da saúde coletiva, a iniciativa amplia o debate sobre questões sociais dentro e fora das escolas.

Segundo a jornalista e escritora Juliana Krapp, coordenadora do concurso, a proposta nasceu do desejo de incentivar jovens a refletirem sobre desafios contemporâneos da sociedade brasileira.

Quando criamos o concurso, quatro anos atrás, nossa ideia era incentivar que os jovens refletissem sobre desafios contemporâneos da saúde coletiva. Logo percebemos que essa reflexão era puxada principalmente em sala de aula, pelos professores. E que o convite para escrever os textos estimulava não só a reflexão individual, mas também o debate coletivo, nas escolas”, afirma.

Juliana destaca ainda que o projeto busca fortalecer a compreensão da saúde como um direito coletivo, ligado às transformações sociais. “Nossa ideia é que o concurso fortaleça o pensamento crítico e a noção de que a saúde também depende da cidadania e de transformações sociais de muitas dimensões”, completa.

Literatura como ferramenta de divulgação científica
Mais do que um concurso literário, a Portinho Livre aposta na literatura infantojuvenil como ferramenta de divulgação científica e educação em saúde. A proposta é aproximar adolescentes de temas como saúde pública, desigualdades sociais, ciência e cidadania por meio da escrita e da leitura.

A iniciativa integra o projeto SUS nas Escolas, desenvolvido pelo Icict/Fiocruz, que incentiva o debate sobre saúde para além da ausência de doenças, entendendo-a como direito e construção coletiva.

A coordenadora do concurso, Juliana Krapp, também atua na interseção entre jornalismo, literatura e divulgação científica. Doutora em Literatura Brasileira pela Uerj e servidora da Fiocruz desde 2011, ela escreveu, ao lado de Mel Bonfim, o livro infantojuvenil Histórias para inspirar futuras cientistas (2021), obra que deu origem à Portinho Livre.

O livro de poemas da jornalista, Uma volta pela lagoa (2023), foi finalista do Prêmio Oceanos e conquistou o segundo lugar no Prêmio Alphonsus de Guimaraens, da Biblioteca Nacional.

Premiação
Os 30 melhores textos serão publicados em um livro do selo Portinho Livre, da Fiocruz. Além disso, os três primeiros colocados e seus respectivos professores receberão vale-presente no valor de R$ 1 mil.

O estudante vencedor também será convidado para participar da abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), no Rio de Janeiro. Caso more em outro estado, a viagem será custeada pela organização, incluindo despesas do estudante, de um responsável e do professor indicado na inscrição.

O Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil conta com incentivo da Fiotec - Fundação de apoio à Fiocruz.

Serviço: 
4º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil
Inscrições: até 29 de maio de 2026
Público: estudantes de 13 a 16 anos matriculados em escolas públicas ou privadas 
Gêneros: crônica, conto ou dissertação
Resultado: 15 de agosto de 2026
Formulário de inscrição 
Regulamento 
 

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